quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Nós, os comuns!

“Para aqueles que se habituaram à posse de admiração pública, ou mesmo à esperança de conquistá-la, todos os demais prazeres empalidecem e definham.” Adam Smith (1759)

De um lado, lá em cima no pedestal, aqueles que experimentaram o gosto da admiração pública e não querem largá-la por nada, como sugeriu Adam Smith. 

De outro lado, cá embaixo, os cidadãos comuns, que trabalham e pagam impostos, que são julgados segundo os rigores da lei. 

Do lado de lá, uma minoria bem servida. 

Do lado de cá, uma maioria correndo atrás da máquina. 

Do lado de lá, os que viajam faceiros.

Do lado de cá, os que quitam a viagem. 

Do lado de lá, os que empregam uma geração inteira.

Do lado de cá, os que pagam os salários da família alheia.

Mas esse caso não se restringe ao plano da vaidade pessoal. 

Estamos diante de um típico exemplo de apropriação do Estado pelo interesse particular, o que na ciência política se chama de “patrimonialismo”.

Em outras palavras, é uma confusão entre o público e o privado. 

Típica herança do Brasil Colônia, essa postura faz com que as coisas do povo sejam tratadas como propriedade do político-monarca: casas, cargos, carros, gasolina, passagens.

Cleber Benvegnú.

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